Orçamento de 2027 prevê R$ 133,8 bilhões em investimentos, R$ 23 bilhões a mais que em 2026
O Novo PAC fica com R$ 61,5 bilhões, com destaque para Minha Casa, Minha Vida, transporte urbano e drenagem; texto ainda depende do Congresso.

O governo federal enviou ao Congresso em 31 de agosto de 2026 o projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027, que prevê R$ 133,8 bilhões em investimentos, segundo a Agência Brasil. O valor supera em R$ 23 bilhões os R$ 110,8 bilhões previstos no Orçamento de 2026 e fica R$ 45,1 bilhões acima do piso de investimentos fixado pelo arcabouço fiscal, de R$ 88,7 bilhões, equivalente a 0,6% do PIB. O projeto tramita como PLN 24/2026, de acordo com a página de acompanhamento do Congresso Nacional.
O que muda
| Item | Valor previsto para 2027 |
|---|---|
| Investimentos totais | R$ 133,8 bilhões |
| Despesas primárias de investimento | R$ 87,9 bilhões |
| Inversões financeiras (inclui subsídios habitacionais) | R$ 45,9 bilhões |
| Novo PAC | R$ 61,5 bilhões |
| Minha Casa, Minha Vida (dentro do Novo PAC) | R$ 8,25 bilhões |
| Transporte coletivo urbano | R$ 1,19 bilhão |
| Drenagem e prevenção de inundações | R$ 667,2 milhões |
| Piso de investimentos do arcabouço | R$ 88,7 bilhões (0,6% do PIB) |
Os dados da tabela são da Agência Brasil. Os principais pontos da proposta, explicados:
- Investimento maior. Os R$ 133,8 bilhões somam despesas primárias, que é o gasto direto com obras e equipamentos, e inversões financeiras, como os subsídios a programas habitacionais. São despesas discricionárias, sem execução obrigatória, que o governo pode ajustar ao longo do ano, segundo a agência.
- Novo PAC com R$ 61,5 bilhões. O programa reúne despesas primárias e financeiras e cobre transporte, energia, habitação e outras áreas consideradas estratégicas. As rubricas destacadas pela Agência Brasil são Minha Casa, Minha Vida, transporte coletivo urbano e drenagem.
- Obrigatórias menores. As despesas obrigatórias caem de 17,5% para 17,3% do PIB e de 92,4% para 91,7% da despesa primária total. Pessoal, benefícios previdenciários, despesas com controle de fluxo e sentenças judiciais recuam 0,1 ponto do PIB cada, segundo a agência.
- Meta fiscal. A meta de 2027 é um superávit de R$ 73,2 bilhões, ou 0,5% do PIB, com R$ 65,6 bilhões em exclusões permitidas por lei, como precatórios e parte dos gastos com Defesa, segundo o Diário do Comércio. Contando todas as despesas, o projeto prevê superávit de R$ 18,6 bilhões.
- Salário mínimo e fundo da reforma tributária. O mínimo proposto é de R$ 1.741, informou o Diário do Comércio. A proposta também reserva 0,2 ponto do PIB para o Fundo de Compensação a Estados e Municípios, criado pela reforma tributária, segundo a Agência Brasil.
O espaço maior para investimento veio, em parte, do controle das despesas obrigatórias e de mecanismos de contenção da legislação fiscal, de acordo com o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, citado pela Agência Brasil. Em entrevista coletiva repercutida pelo Acessa.com, Moretti disse que o espaço para investir ainda é pequeno, mas se ampliou. À Agência Brasil, ele afirmou que o volume ainda é insuficiente para as necessidades de infraestrutura do país.
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A proposta mexe com quem depende de obra pública federal: construtoras e prestadores de serviço de infraestrutura, habitação, mobilidade urbana e drenagem, que são as rubricas destacadas do Novo PAC, segundo a Agência Brasil. Estados e municípios que tocam obras com repasse federal também dependem desse valor, porque boa parte do Minha Casa, Minha Vida, do transporte urbano e da drenagem é executada por eles.
Há ressalvas sobre a execução. Como os investimentos são discricionários, o valor aprovado não garante a obra; o ritmo depende da liberação ao longo de 2027. A Gazeta do Povo comparou as premissas: o governo projeta crescimento de 2,46% do PIB em 2027, contra mediana de 1,5% no Relatório Focus, e inflação de 3,60%, contra 4,28% esperados pelo mercado. O Diário do Comércio registrou que especialistas criticam a convivência de uma meta formal com exclusões e de um resultado real, o que deixa a leitura do Orçamento mais confusa. Se a receita frustrar, as despesas discricionárias, investimento incluído, são as primeiras a sofrer bloqueio.
Prazos
| Etapa | Data |
|---|---|
| Envio do PLOA 2027 ao Congresso (Mensagem nº 731/2026) | 31 de agosto de 2026 |
| Informações complementares do governo (Mensagem nº 755/2026) | 18 de setembro de 2026 |
| Nota Técnica Conjunta nº 4/2026 das consultorias de orçamento | 8 de outubro de 2026 |
| Emendas, relatórios e votação na Comissão Mista de Orçamento | não iniciadas |
| Votação no plenário e sanção | sem data |
| Execução | ao longo de 2027, depois da sanção |
As etapas e datas são da página de acompanhamento do Orçamento no Congresso Nacional, consultada em 18 de outubro de 2026, que mostrava ainda não iniciadas a apresentação de emendas, a admissibilidade, os relatórios preliminar, setoriais e geral e a votação em plenário. O Congresso pode alterar os valores durante a tramitação.
O que isso significa para quem presta serviço
Para quem vende à cadeia da construção pesada, o número a acompanhar não é o previsto, e sim o que for aprovado e liberado. Três sinais práticos:
- Relatório setorial de infraestrutura. É nessa etapa da Comissão Mista que os valores por programa costumam mudar, para cima ou para baixo.
- Licitações do Novo PAC na sua região. Construtoras que vencem obras de habitação, mobilidade e drenagem costumam subcontratar estrutura metálica, pré-moldados, instalações, terraplenagem e locação de equipamentos.
- Bloqueios bimestrais. Em 2027, os relatórios de avaliação de receitas e despesas dirão se o investimento será contido, o que define o ritmo das obras em andamento.
Para quem não vende ao governo, o efeito chega de forma indireta, pelas construtoras que ganharem as licitações e pela demanda de materiais e serviços gerada nas obras.
- Quem decidiu
- Governo federal (PLOA 2027 enviado ao Congresso)
- Valor
- R$ 133,8 bilhões
- Vigência
- Exercício de 2027, depende de aprovação no Congresso
- Publicado em
- 1 de setembro de 2026
Como isso afeta quem vende para a indústria
Investimento público maior em 2027 aquece a cadeia de construção pesada e, por tabela, a demanda das construtoras por fornecedores privados: estrutura metálica, pré-moldados, instalações, terraplenagem e locação de equipamentos. O valor ainda pode mudar no Congresso, onde emendas e relatórios nem começaram, e por ser discricionário pode ser bloqueado se a receita frustrar. Para quem não vende ao governo, o efeito chega pelas construtoras que ganharem as licitações do Novo PAC.
- Acompanhar o relatório setorial de infraestrutura na Comissão Mista de Orçamento
- Mapear construtoras que disputam obras do Novo PAC na sua região
- Preparar oferta para habitação, drenagem e mobilidade urbana
- Monitorar os bloqueios bimestrais de 2027
Janela: Execução ao longo de 2027, após aprovação.
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- Orçamento de 2027 prevê R$ 133,8 bilhões em investimentos, Agência Brasil, 1 de setembro de 2026
- Moretti: Estamos batalhando para aumentar espaço de investimento, boa notícia é que se ampliou, Acessa.com, 1 de setembro de 2026
- Orçamento da União 2027 (PLN 24/2026), Congresso Nacional, 8 de outubro de 2026
- Orçamento de 2027 tem previsão de superávit primário de R$ 18,6 bi e salário mínimo de R$ 1.741, Diário do Comércio, 31 de agosto de 2026
- Orçamento 2027: premissas de superávit primário, Gazeta do Povo, 1 de setembro de 2026
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