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Flávio e Lula: planos no TSE citam R$ 900 bi em infraestrutura e Novo PAC de R$ 300 bi

Flávio Bolsonaro prevê R$ 900 bilhões em 4 anos via concessões e PPPs; Lula cita R$ 280 bilhões do Novo PAC em 2025. Segundo turno é em 25 de outubro.

Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva
Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva. Foto: Agência Senado e Ricardo Stuckert/PR / Attribution / CC BY 2.0, via Wikimedia Commons
Por Redação Radar IndústriaPublicado em · fato divulgado em 19 de agosto de 20265 min de leitura

Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disputam a Presidência da República no segundo turno, marcado para o domingo, 25 de outubro de 2026, depois de nenhum dos dois alcançar a maioria dos votos válidos no primeiro turno, em 4 de outubro, segundo o Poder360. Os dois registraram no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) programas de governo para o mandato de 2027 a 2030. O de Flávio, intitulado “Para o Brasil Vencer o Atraso”, prevê R$ 900 bilhões em infraestrutura de transportes em quatro anos, de acordo com a Agência iNFRA e o Poder360. O de Lula propõe a continuidade do Novo PAC e lembra que o programa investiu R$ 280 bilhões em 2025, com R$ 300 bilhões previstos para 2026, segundo a Bloomberg Línea.

A comparação abaixo usa a mesma estrutura para os dois, em ordem alfabética, e só inclui propostas dos planos registrados. Segundo a Agência iNFRA, nenhum dos dois traz cronograma de obras ou fonte detalhada de recursos.

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O que muda

Flávio Bolsonaro (PL)

  • Infraestrutura. O plano prevê R$ 900 bilhões em quatro anos para rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos, por meio de concessões, parcerias público-privadas (PPPs) e maior participação privada, sem informar a parcela pública, segundo o Poder360. A Agência iNFRA cita como fontes de financiamento a securitização de ativos e imóveis da União, PPPs, concessões e o BNDES, com recursos restritos a obras no Brasil.
  • Projetos citados. Corredores Logísticos Inteligentes para escoar a produção do Centro-Oeste, destravamento da Ferrogrão, conclusão da Transnordestina, Trem do Nordeste, ferrovias de carga ligando Mato Grosso ao oeste do Paraná e a Santa Catarina, e a Hidrovia do Tapajós, de acordo com a Agência iNFRA.
  • Indústria. Prioridade ao investimento privado, à redução de custos e à segurança jurídica, com processamento de minerais críticos no país e atração de data centers, segundo o Poder360.
  • Energia. Redução gradual de encargos e subsídios, expansão da infraestrutura de gás natural e incentivo a solar, eólica e hidrogênio verde, segundo o Poder360. A Bloomberg Línea informa que o Programa Nacional de Segurança Energética do plano prevê incentivo a petróleo e gás e permite a exploração de gás não convencional.
  • Tributação. Revisão de pontos da reforma tributária, redução da alíquota do IVA sem indicar novo percentual, corte de tributos sobre energia elétrica e combustíveis e redução de tributos sobre exportação e investimento, segundo o Poder360.
  • Crédito e contas públicas. Ampliação do crédito da Caixa pelo “Banco da Prosperidade”, de acordo com o Poder360, e limite ao crédito subsidiado com recursos do Tesouro, segundo a Suno. A regra fiscal passaria a usar a relação entre dívida e PIB como referência, segundo a Agência Brasil.

Lula (PT)

  • Infraestrutura. O plano mantém o Novo PAC como principal instrumento, articulando recursos públicos e privados, segundo a Agência iNFRA. O documento registra R$ 280 bilhões investidos em 2025, R$ 300 bilhões previstos para 2026 e R$ 1,3 trilhão executado no programa, de acordo com a Bloomberg Línea.
  • Projetos citados. Manutenção do ritmo de concessões rodoviárias, novos leilões e repactuação de contratos ferroviários com estímulo à fabricação nacional de trens, arrendamentos portuários, concessões de canais de acesso, aeroportos regionais e retomada da indústria naval, segundo a Agência iNFRA.
  • Indústria. Aprofundamento da Nova Indústria Brasil, com financiamento público, compras governamentais e incentivos a inteligência artificial, minerais críticos e descarbonização, segundo o Poder360.
  • Energia. Transição energética e ampliação das fontes renováveis, segundo o Poder360 e a Agência Brasil, além de incentivo ao combustível sustentável de aviação (SAF) e ao diesel verde e aumento das misturas de etanol na gasolina e de biodiesel no diesel, de acordo com a Agência iNFRA.
  • Tributação. Manutenção da reforma tributária, segundo o Poder360, e tributação mais progressiva, com rendas mais altas contribuindo proporcionalmente mais, segundo a Agência Brasil.
  • Crédito e contas públicas. Redução do custo do crédito, segundo o Poder360, e estímulo a instrumentos de mercado de capitais como debêntures de infraestrutura e fundos de investimento em participações (FIPs), segundo a Suno. O arcabouço fiscal em vigor seria mantido, de acordo com a Agência Brasil.

Quem é afetado

As propostas tocam diretamente concessionárias, construtoras, fabricantes de equipamentos e empresas de engenharia que atendem transporte, saneamento, energia e indústria de transformação. Segundo a Agência iNFRA, os dois planos indicam continuidade da agenda de parcerias com a iniciativa privada coordenada pelo Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), criado em 2016, cujos contratos de concessão e PPP costumam durar de 20 a 40 anos.

Prazos

ItemFlávio Bolsonaro (PL)Lula (PT)
Período do plano2027 a 20302027 a 2030
Valor citado para infraestruturaR$ 900 bilhões em 4 anosNovo PAC: R$ 300 bilhões previstos em 2026
Principal instrumentoConcessões, PPPs, securitização e BNDESNovo PAC com recursos públicos e privados
Regra fiscalNova regra ligada à dívidaMantém o arcabouço

O que isso significa para quem presta serviço

  • Carteira de concessões. Como os dois planos preveem concessões e PPPs em rodovias, ferrovias e portos, a tendência é de que o calendário de leilões siga ativo a partir de 2027, com demanda por projeto, terraplenagem, pavimentação e obras de arte especiais.
  • Ferrovias. Ferrogrão e Transnordestina aparecem no plano de Flávio, e o de Lula cita novos leilões ferroviários e fabricação nacional de trens, o que mantém no radar a cadeia de via permanente, sinalização e material rodante.
  • Saneamento. O plano de Flávio fixa a universalização até 2033 por concessões e PPPs, segundo a Agência iNFRA, e o de Lula prevê apoio a estados e municípios, com investimentos em canais e adutoras. Os dois caminhos devem sustentar a contratação de estações de tratamento e redes.
  • Energia e combustíveis. Gás natural e hidrogênio no plano de Flávio; renováveis, SAF e biocombustíveis no de Lula. Em ambos os casos, a obra industrial associada envolve montagem eletromecânica, tubulação e utilidades.
  • Tributação do investimento. A proposta de Flávio de rever a reforma tributária e a de Lula de mantê-la levam a cenários diferentes para o crédito de impostos sobre bens de capital.
Ficha da medida Radar Política
Quem decidiu
Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
Valor
R$ 900 bilhões
Vigência
Segundo turno em 25/10/2026; planos valem para o mandato 2027 a 2030
Publicado em
19 de agosto de 2026

Como isso afeta quem vende para a indústria

Os dois planos preservam a lógica de concessões e PPPs, o que indica que a carteira de leilões de transporte e saneamento tende a continuar em 2027, independentemente do resultado. A diferença que mais pesa para quem vende obra industrial está na tributação: um plano propõe rever a reforma tributária e o outro mantê-la, o que muda a conta do crédito de impostos sobre bens de capital. Nenhum dos documentos traz cronograma, por isso os primeiros sinais concretos devem vir do Orçamento de 2027 e da carteira do PPI após a posse.

  • Projeto e obra rodoviária e ferroviária em concessões
  • Estações de tratamento, redes e adutoras de saneamento
  • Montagem eletromecânica em gás, renováveis e biocombustíveis
  • Planejamento tributário de investimentos em bens de capital

Janela: Decisão em 25/10/2026; novas carteiras de leilão e orçamento a partir de 2027.

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