Flávio e Lula: planos no TSE citam R$ 900 bi em infraestrutura e Novo PAC de R$ 300 bi
Flávio Bolsonaro prevê R$ 900 bilhões em 4 anos via concessões e PPPs; Lula cita R$ 280 bilhões do Novo PAC em 2025. Segundo turno é em 25 de outubro.

Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disputam a Presidência da República no segundo turno, marcado para o domingo, 25 de outubro de 2026, depois de nenhum dos dois alcançar a maioria dos votos válidos no primeiro turno, em 4 de outubro, segundo o Poder360. Os dois registraram no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) programas de governo para o mandato de 2027 a 2030. O de Flávio, intitulado “Para o Brasil Vencer o Atraso”, prevê R$ 900 bilhões em infraestrutura de transportes em quatro anos, de acordo com a Agência iNFRA e o Poder360. O de Lula propõe a continuidade do Novo PAC e lembra que o programa investiu R$ 280 bilhões em 2025, com R$ 300 bilhões previstos para 2026, segundo a Bloomberg Línea.
A comparação abaixo usa a mesma estrutura para os dois, em ordem alfabética, e só inclui propostas dos planos registrados. Segundo a Agência iNFRA, nenhum dos dois traz cronograma de obras ou fonte detalhada de recursos.
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Flávio Bolsonaro (PL)
- Infraestrutura. O plano prevê R$ 900 bilhões em quatro anos para rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos, por meio de concessões, parcerias público-privadas (PPPs) e maior participação privada, sem informar a parcela pública, segundo o Poder360. A Agência iNFRA cita como fontes de financiamento a securitização de ativos e imóveis da União, PPPs, concessões e o BNDES, com recursos restritos a obras no Brasil.
- Projetos citados. Corredores Logísticos Inteligentes para escoar a produção do Centro-Oeste, destravamento da Ferrogrão, conclusão da Transnordestina, Trem do Nordeste, ferrovias de carga ligando Mato Grosso ao oeste do Paraná e a Santa Catarina, e a Hidrovia do Tapajós, de acordo com a Agência iNFRA.
- Indústria. Prioridade ao investimento privado, à redução de custos e à segurança jurídica, com processamento de minerais críticos no país e atração de data centers, segundo o Poder360.
- Energia. Redução gradual de encargos e subsídios, expansão da infraestrutura de gás natural e incentivo a solar, eólica e hidrogênio verde, segundo o Poder360. A Bloomberg Línea informa que o Programa Nacional de Segurança Energética do plano prevê incentivo a petróleo e gás e permite a exploração de gás não convencional.
- Tributação. Revisão de pontos da reforma tributária, redução da alíquota do IVA sem indicar novo percentual, corte de tributos sobre energia elétrica e combustíveis e redução de tributos sobre exportação e investimento, segundo o Poder360.
- Crédito e contas públicas. Ampliação do crédito da Caixa pelo “Banco da Prosperidade”, de acordo com o Poder360, e limite ao crédito subsidiado com recursos do Tesouro, segundo a Suno. A regra fiscal passaria a usar a relação entre dívida e PIB como referência, segundo a Agência Brasil.
Lula (PT)
- Infraestrutura. O plano mantém o Novo PAC como principal instrumento, articulando recursos públicos e privados, segundo a Agência iNFRA. O documento registra R$ 280 bilhões investidos em 2025, R$ 300 bilhões previstos para 2026 e R$ 1,3 trilhão executado no programa, de acordo com a Bloomberg Línea.
- Projetos citados. Manutenção do ritmo de concessões rodoviárias, novos leilões e repactuação de contratos ferroviários com estímulo à fabricação nacional de trens, arrendamentos portuários, concessões de canais de acesso, aeroportos regionais e retomada da indústria naval, segundo a Agência iNFRA.
- Indústria. Aprofundamento da Nova Indústria Brasil, com financiamento público, compras governamentais e incentivos a inteligência artificial, minerais críticos e descarbonização, segundo o Poder360.
- Energia. Transição energética e ampliação das fontes renováveis, segundo o Poder360 e a Agência Brasil, além de incentivo ao combustível sustentável de aviação (SAF) e ao diesel verde e aumento das misturas de etanol na gasolina e de biodiesel no diesel, de acordo com a Agência iNFRA.
- Tributação. Manutenção da reforma tributária, segundo o Poder360, e tributação mais progressiva, com rendas mais altas contribuindo proporcionalmente mais, segundo a Agência Brasil.
- Crédito e contas públicas. Redução do custo do crédito, segundo o Poder360, e estímulo a instrumentos de mercado de capitais como debêntures de infraestrutura e fundos de investimento em participações (FIPs), segundo a Suno. O arcabouço fiscal em vigor seria mantido, de acordo com a Agência Brasil.
Quem é afetado
As propostas tocam diretamente concessionárias, construtoras, fabricantes de equipamentos e empresas de engenharia que atendem transporte, saneamento, energia e indústria de transformação. Segundo a Agência iNFRA, os dois planos indicam continuidade da agenda de parcerias com a iniciativa privada coordenada pelo Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), criado em 2016, cujos contratos de concessão e PPP costumam durar de 20 a 40 anos.
Prazos
| Item | Flávio Bolsonaro (PL) | Lula (PT) |
|---|---|---|
| Período do plano | 2027 a 2030 | 2027 a 2030 |
| Valor citado para infraestrutura | R$ 900 bilhões em 4 anos | Novo PAC: R$ 300 bilhões previstos em 2026 |
| Principal instrumento | Concessões, PPPs, securitização e BNDES | Novo PAC com recursos públicos e privados |
| Regra fiscal | Nova regra ligada à dívida | Mantém o arcabouço |
O que isso significa para quem presta serviço
- Carteira de concessões. Como os dois planos preveem concessões e PPPs em rodovias, ferrovias e portos, a tendência é de que o calendário de leilões siga ativo a partir de 2027, com demanda por projeto, terraplenagem, pavimentação e obras de arte especiais.
- Ferrovias. Ferrogrão e Transnordestina aparecem no plano de Flávio, e o de Lula cita novos leilões ferroviários e fabricação nacional de trens, o que mantém no radar a cadeia de via permanente, sinalização e material rodante.
- Saneamento. O plano de Flávio fixa a universalização até 2033 por concessões e PPPs, segundo a Agência iNFRA, e o de Lula prevê apoio a estados e municípios, com investimentos em canais e adutoras. Os dois caminhos devem sustentar a contratação de estações de tratamento e redes.
- Energia e combustíveis. Gás natural e hidrogênio no plano de Flávio; renováveis, SAF e biocombustíveis no de Lula. Em ambos os casos, a obra industrial associada envolve montagem eletromecânica, tubulação e utilidades.
- Tributação do investimento. A proposta de Flávio de rever a reforma tributária e a de Lula de mantê-la levam a cenários diferentes para o crédito de impostos sobre bens de capital.
- Quem decidiu
- Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
- Valor
- R$ 900 bilhões
- Vigência
- Segundo turno em 25/10/2026; planos valem para o mandato 2027 a 2030
- Publicado em
- 19 de agosto de 2026
Como isso afeta quem vende para a indústria
Os dois planos preservam a lógica de concessões e PPPs, o que indica que a carteira de leilões de transporte e saneamento tende a continuar em 2027, independentemente do resultado. A diferença que mais pesa para quem vende obra industrial está na tributação: um plano propõe rever a reforma tributária e o outro mantê-la, o que muda a conta do crédito de impostos sobre bens de capital. Nenhum dos documentos traz cronograma, por isso os primeiros sinais concretos devem vir do Orçamento de 2027 e da carteira do PPI após a posse.
- Projeto e obra rodoviária e ferroviária em concessões
- Estações de tratamento, redes e adutoras de saneamento
- Montagem eletromecânica em gás, renováveis e biocombustíveis
- Planejamento tributário de investimentos em bens de capital
Janela: Decisão em 25/10/2026; novas carteiras de leilão e orçamento a partir de 2027.
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- Planos de Lula e Flávio indicam continuidade para setores de transportes, Agência iNFRA, 19 de agosto de 2026
- O que se sabe sobre o plano econômico de Flávio Bolsonaro, Poder360, 13 de outubro de 2026
- Eleições 2026: compare os planos de governo de Lula e Flávio, Poder360, 21 de agosto de 2026
- Como a fragilidade fiscal ameaça planos de Flávio e Lula para destravar a infraestrutura, Bloomberg Línea, 14 de outubro de 2026
- Economia: Lula e Flávio divergem sobre ajuste fiscal e papel do Estado, Agência Brasil, 16 de outubro de 2026
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