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Infraestrutura · SP

Governo retoma leilão do Tecon Santos 10, terminal de R$ 6,45 bilhões

Terminal de 621 mil m² e quatro berços vai aumentar 50% a capacidade de contêineres do porto, após seis meses de suspensão para revisão do edital.

Expansive view of a busy industrial port with shipping containers and cranes under cloudy skies.
Imagem ilustrativa. Foto: Rafael Rodrigues / Pexels
Por Redação Radar IndústriaPublicado em · fato divulgado em 9 de outubro de 20264 min de leitura

No Porto de Santos, hoje o maior complexo portuário da América Latina em movimentação de carga, o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) retomou a modelagem do leilão do Tecon Santos 10 (STS10), um novo terminal de contêineres de R$ 6,45 bilhões no Porto de Santos (SP), com o leilão agora projetado para os primeiros meses de 2027, segundo a Mundo Logística. O projeto estava suspenso desde abril de 2026, quando o governo pediu à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) a devolução do processo para reavaliar parâmetros do edital, de acordo com o Santa Portal.

O projeto em números

ItemDado
InvestimentoR$ 6,45 bilhões
Área do terminal621 mil m²
Berços de atracação4
Capacidade adicional9 milhões de contêineres por ano
Aumento na capacidade do porto50%
Outorga mínima do leilãoR$ 500 milhões
Duração da concessão25 anos
Ranking mundial de contêineresBrasil deve subir do 45º para o 15º lugar

Fontes: Mundo Logística e Santa Portal.

Contexto

O MPor enviou a modelagem final do STS10 à Antaq em janeiro de 2026, com o leilão então previsto para a segunda quinzena de março daquele ano, segundo a Mundo Logística. Em abril de 2026, porém, o governo recuou e pediu a devolução do processo para reavaliação, em um movimento que o próprio ministério descreveu como "ato administrativo padrão" para aprimorar a modelagem, conforme o Santa Portal. Recomendações do Tribunal de Contas da União e pressões de armadores internacionais sobre os critérios do edital motivaram a revisão, que a reportagem da época já indicava poder empurrar o leilão para 2027. Seis meses depois, em outubro de 2026, o Tecon Santos 10 volta a aparecer como um dos principais projetos do portfólio portuário do governo para o período de 2027 a 2030, respondendo por cerca de 31% dos R$ 20,6 bilhões previstos nos 34 leilões de porto planejados para a janela, segundo a Mundo Logística. O terminal é citado pelo governo como o maior projeto portuário da história do país, e a expectativa oficial é de que a obra amplie de forma permanente a competitividade logística da cadeia exportadora que passa por Santos, hoje responsável por cerca de um quarto do comércio exterior brasileiro.

O STS10 integra um portfólio de 34 leilões portuários que o MPor planeja realizar entre 2027 e 2030, somando R$ 20,6 bilhões em investimentos previstos, segundo a Mundo Logística. Nessa carteira, o terminal de Santos responde isoladamente por quase um terço do valor total, o que o torna o maior projeto individual do programa. O governo también destaca que a conclusão do STS10 deve elevar a posição do Brasil no ranking mundial de movimentação de contêineres, do atual 45º lugar para a 15ª posição. Outro projeto de infraestrutura em São Paulo acompanhado pelo Radar, a Rota Mogiana, também depende do regime especial de incentivo fiscal (Reidi) para avançar, o que mostra como parte da obra de infraestrutura paulista segue presa a etapas regulatórias antes da contratação pesada.

O que a obra deve contratar

  • Obras marítimas e estaqueamento de cais. A construção dos quatro berços de atracação é a etapa mais pesada do projeto e deve concentrar a primeira onda de contratação de engenharia marítima.
  • Dragagem. A ampliação da área operacional em 621 mil m² deve exigir dragagem de aprofundamento e manutenção dos canais de acesso.
  • Pavimentação de pátio de contêineres. A área de armazenagem e movimentação de carga deve demandar pavimentação de alta resistência para equipamentos pesados.
  • Montagem de portêineres e guindastes. Os equipamentos de movimentação de contêineres, essenciais para a capacidade adicional de 9 milhões de unidades por ano, exigem montagem eletromecânica especializada.
  • Subestação e redes elétricas. A operação do novo terminal deve contratar infraestrutura elétrica dedicada para os equipamentos de movimentação e os sistemas de automação.
  • Automação portuária. Sistemas de controle operacional e automação devem acompanhar a modernização prevista para o novo terminal.

Prazos e próximos passos

EtapaData
1ª modelagem enviada à Antaqjaneiro de 2026
Leilão originalmente previstomarço de 2026 (não ocorreu)
Suspensão para reavaliaçãoabril de 2026
Retomada do projeto no portfólio portuáriooutubro de 2026
Novo leilão previstoprimeiros meses de 2027
Ficha do investimento Radar Capex
Empresa
Ministério de Portos e Aeroportos (leilão Tecon Santos 10)
Local
Santos (SP), SP
Valor
R$ 6,45 bilhões
Fase
Anúncio
Previsão
não informada
Anunciado em
9 de outubro de 2026

O que isso significa para quem vende para a indústria

A suspensão de seis meses do STS10 em 2026 mostra que, mesmo em projetos já modelados e prontos para leilão, o calendário de obra pública portuária pode atrasar por revisão regulatória, o que favorece fornecedores que acompanham a publicação do edital definitivo em vez de se comprometerem com prazos de terceiros. Por outro lado, o fato de o governo ter mantido o projeto no topo do portfólio de 2027 a 2030, com quase um terço do valor total de leilões da janela, indica que a prioridade política permanece alta e que a obra marítima e de dragagem deve mesmo avançar assim que o edital for republicado. A escala do terminal (quatro berços, 621 mil m²) sugere um volume de contratação de engenharia marítima acima da média dos leilões portuários recentes.

Serviços que o projeto tende a contratar:

  • Obras marítimas e estaqueamento de cais
  • Dragagem de aprofundamento e manutenção
  • Pavimentação de pátio de contêineres
  • Montagem de portêineres e guindastes
  • Subestação e redes elétricas
  • Sistemas de automação portuária

Janela: A contratação pesada de obra marítima e dragagem só deve começar depois da publicação do edital definitivo e da realização do leilão, agora estimado para o primeiro semestre de 2027.

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