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Infraestrutura · CE

Transnordestina chega a 84% da 1ª fase da ferrovia de R$ 15 bilhões no Ceará

Com 832 km executados de 1.053 km da primeira fase, a TLSA quer entregar mais 70 km até dezembro e chegar ao Porto do Pecém no fim de 2027.

Workers in hats maintain train tracks at a rural railway station. Sunny day setting.
Imagem ilustrativa. Foto: Pew Nguyen / Pexels
Por Redação Radar IndústriaPublicado em · fato divulgado em 2 de julho de 20264 min de leitura

A Transnordestina Logística S.A. (TLSA), concessionária controlada pela CSN, entregou em 21 de setembro de 2026 o lote 6 da Ferrovia Transnordestina, 50 km entre Quixeramobim e Quixadá, no sertão central do Ceará, e levou a primeira fase do projeto a 84% de avanço físico, informou o Diário do Nordeste. São 832 km executados de 1.053 km previstos nessa etapa, com conclusão marcada para o fim de 2027. A obra completa, de 1.206 km entre Eliseu Martins (PI) e o Porto do Pecém (CE), tem custo estimado em cerca de R$ 15 bilhões, somando recursos públicos e privados, segundo o mesmo jornal.

Em 2 de julho, o presidente Lula inaugurou os lotes 4 e 5, pouco mais de 100 km entre Acopiara e Quixeramobim. Na ocasião, o Ministério dos Transportes contabilizava 777 km de infraestrutura física concluída e 82% de obra executada, segundo reportagem da Agência Brasil reproduzida pelo Diario de Pernambuco.

O projeto em números

ItemValor
Extensão total1.206 km, de Eliseu Martins (PI) ao Porto do Pecém (CE) (Agência Brasil)
Investimento total estimadocerca de R$ 15 bilhões (Diário do Nordeste e Agência Brasil)
Desembolsado até março de 2026R$ 9,8 bilhões (Agência Brasil)
Avanço da primeira fase84%, com 832 km de 1.053 km (Diário do Nordeste, setembro de 2026)
Trechos restantes da primeira fase221 km em infraestrutura e superestrutura (Diário do Nordeste)
Municípios atravessados53 (Agência Brasil)
Capacidade prevista33 milhões de toneladas por ano (Diário do Nordeste)
Financiamento do FDNE contratado no fim de 2024R$ 3,6 bilhões, com R$ 1,6 bilhão ainda a liberar em julho de 2026 (Diário do Nordeste)
Equipe no lote 6590 trabalhadores e 181 máquinas pesadas (Diário do Nordeste)

Contexto

A construção da Transnordestina começou em 2006, segundo o Diário do Nordeste, e o projeto atravessou duas décadas de atrasos. O traçado original previa também um ramal de cerca de 500 km entre Salgueiro, no oeste de Pernambuco, e o Porto de Suape, que foi retirado do contrato da concessionária em gestão anterior do governo federal, informou a Agência Brasil. A contratação desse trecho pernambucano está suspensa por decisão do Tribunal de Contas da União, de acordo com a mesma reportagem. Hoje, a linha da TLSA liga o sul do Piauí ao litoral cearense e deve atender mais de 50 municípios em Piauí, Pernambuco e Ceará, segundo o Diário do Nordeste.

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O dinheiro público entra principalmente pelo Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE), administrado pela Sudene. Em 2 de julho, o fundo liberou R$ 600 milhões à TLSA, e a Sudene antecipou para o segundo semestre de 2026 a parcela de R$ 1 bilhão que estava prevista originalmente para mais tarde, informou o Diário do Nordeste. Segundo o jornal, o FDNE já aplicou R$ 5,8 bilhões na ferrovia.

A operação começou de forma parcial. O Ibama emitiu a licença de operação em 11 de dezembro de 2025, e a primeira composição, com 20 vagões de milho, percorreu 585 km entre Bela Vista do Piauí (PI) e Iguatu (CE) em fase de testes, de acordo com o Diário do Nordeste. Em agosto de 2026, as licenças em vigor autorizavam o transporte comercial em 679 km, entre São Miguel do Fidalgo (PI) e Acopiara (CE), e a TLSA pediu ao Ibama a inclusão de mais trechos para operar até Quixadá, segundo o mesmo jornal.

A ferrovia é peça da estratégia do Ceará para o Complexo do Pecém, que atrai projetos como o data center da ByteDance. Em julho, o governo deu ordem de serviço para o Ramal Nelog, que liga a linha ao terminal privado Nelog no Pecém, e firmou protocolo para um porto seco em Quixeramobim com previsão de R$ 1 bilhão em investimentos privados, segundo a Agência Brasil.

O que a obra deve contratar

  • Superestrutura de via. Com 221 km ainda em execução, a fase final tende a concentrar lançamento de dormentes, trilhos, lastro e soldagem de via nos lotes 7 e 11.
  • Obras de arte especiais. Só o lote 6 incluiu seis pontes e viadutos, segundo a Sudene; os trechos rumo ao litoral costumam exigir novas estruturas e contenções.
  • Terraplenagem e drenagem. O lote 11, entre Caucaia e o Pecém, ainda está em obra e tende a demandar cortes, aterros e drenagem em área urbana e portuária.
  • Pátios e terminais. O porto seco de Quixeramobim, o terminal municipal de Quixadá e o Ramal Nelog costumam abrir contratos de pátios, silos, armazéns e desvios ferroviários.
  • Sinalização e sistemas. A ampliação da operação comercial trecho a trecho tende a exigir sinalização, telecomunicações e controle de tráfego.
  • Licenciamento e supervisão. A dependência de licenças do Ibama e inspeções da ANTT para cada trecho costuma gerar demanda por consultoria ambiental, documentação técnica e controle tecnológico.

Prazos e próximos passos

EtapaPrazoFonte
Inauguração dos lotes 4 e 5 (Acopiara a Quixeramobim)2 de julho de 2026Agência Brasil
Entrega do lote 6 (Quixeramobim a Quixadá)21 de setembro de 2026Diário do Nordeste
Lote 7 (Quixadá a Itapiúna) e parte do lote 11 (Caucaia ao Pecém, 23 km)até o fim de 2026Diário do Nordeste
Parcela de R$ 1 bilhão do FDNEsegundo semestre de 2026Diário do Nordeste
Conclusão da primeira fase até o Pecémfim de 2027Diário do Nordeste
Segunda fase, 151 km no Piauí até Eliseu Martinsconclusão prevista para 2028Diário do Nordeste, dezembro de 2025

O diretor-presidente da TLSA, Ismael Trinks, disse que começar a obra também pelo Pecém permite que as frentes se encontrem no meio do caminho, segundo o Diário do Nordeste.

Ficha do investimento Radar Capex
Empresa
Transnordestina Logística (TLSA)
Local
Eliseu Martins (PI) ao Porto do Pecém (CE), CE
Valor
R$ 15 bi
Fase
Obras iniciadas
Previsão
1ª fase até o fim de 2027; Pecém em 2027
Anunciado em
2 de julho de 2026

O que isso significa para quem vende para a indústria

A Transnordestina entrou na fase de fechamento: a infraestrutura pesada está concentrada nos lotes 7 e 11, e a demanda agora migra para superestrutura de via, sinalização e liberação de trechos junto a Ibama e ANTT. A oportunidade maior para os próximos dois anos está nas pontas: pátios, terminais, porto seco de Quixeramobim, terminal de Quixadá e ramais no Pecém, que são investimentos de terceiros puxados pela ferrovia. Quem atua com armazenagem de grãos, tancagem de combustíveis e logística de minerais deve acompanhar esses terminais, que contratam depois que o trilho chega. A segunda fase no Piauí, com 151 km, é a próxima frente de terraplenagem.

Serviços que o projeto tende a contratar:

  • Superestrutura e assentamento de via
  • Pontes, viadutos e contenções
  • Terraplenagem e drenagem ferroviária
  • Pátios, silos e terminais intermodais
  • Sinalização e telecomunicações ferroviárias
  • Licenciamento ambiental e controle tecnológico

Janela: Até o fim de 2027 para via e obras de arte; de 2026 a 2029 para terminais e porto seco ao longo da linha.

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